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Sobre o Realistas
O Projecto Realistas dá a conhecer a vida de várias personalidades que se distinguem pela sua dedicação a Portugal e que, entre os seus princípios e convicções, está a defesa da Monarquia Portuguesa. Realistas, portanto.



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ARTES & LETRAS : Joshua Benoliel
2010/2/6 6:40:00

Joshua Benoliel (Lisboa, 13 de Janeiro de 1873 - Lisboa, 3 de Fevereiro de 1932)
foi um fotógrafo e jornalista de Portugal, considerado por muitos o maior fotógrafo português do inicio do século XX.
Judeu, descendente de uma família hebraica que se instalara em Cabo Verde. Considerado o criador em Portugal da reportagem fotográfica. Fez a cobertura jornalística dos grandes acontecimentos da sua época, acompanhando os reis D. Carlos e D. Manuel II nas suas viagens ao estrangeiro, assim como a Revolução de 1910, as revoltas monárquicas durante a Primeira República, assim como exército português que combateu na Flandres durante a Primeira Guerra Mundial. As suas fotografias caracterizam-se pelo intimismo e humanismo com que abordava os temas.

Assinala-se hoje o 78.º aniversário da morte, ocorrida em Lisboa no dia 3 de Fevereiro de 1932, de Joshua Benoliel o “pai” da reportagem fotográfica em Portugal. Tinha nascido, provavelmente em Gibraltar, no dia 13 de Janeiro de 1873, descendente de uma família hebraica que se instalara em Cabo Verde. No ano de 1898, ainda como amador, pois seria empregado alfandegário, publica a sua primeira fotografia na revista Tiro Civil. Em 1906 inicia a sua carreira de profissional na segunda séria da revista Illustração Portuguesa. Também ao jornal O Século dedicou grande parte parte da sua criatividade de repórter fotográfico, de que foi o iniciador. Percorreu mundo acompanhando monarcas e residentes de repúblicas, alguns dos quais, como Afonso XIII de Espanha, lhe tributavam sincera amizade. Foi, durante largos anos, correspondente em Portugal do jornal madrileno ABC.
Em 1910, no dia 5 de Outubro, fotografa os acontecimentos desenvolvidos na Rotunda e, posteriormente, nos Paços do Concelho, a proclamação da República Portuguesa. Também esteve na frente de batalha na I Grande Guerra Mundial captando as imagens das tropas portuguesas na Flandres. Todos os momentos da sociedade foram “apanhados” pela câmara de Joshua Benoliel. Tanto estava, nas primeiras horas da adrugada, nos pregoeiros da lota, para imortalizar os pés descalços dos pequenos ardinas ou esforço das heroínas peixeiras nas descargas do carvão. Toda o gente o conhecia e respeitava, dando-lhe “espaço” para ele poder montar o seu tripé e demais acessórios, procurando o melhor ângulo para os seus fabulosos “bonecos”. Para reforçar a sua presença havia uma frase mágica que ele lançava“É para O Século! É para O Século!” Na realidade ele, utilizando o seu brado, também também estava o fotografar para o século…
Ele será sempre “O rei dos Fotógrafos” como lhe chamou o escritor e jornalista Rocha Martins, aquele que deixou para a posteridade o retrato de Lisboa de sempre e de Portugal de 1900. Ficaram para a recordação colectiva o rei D. Carlos no hipódromo ou D. Manuel no Parlamento. Frente a Teófilo Braga esteve o fotógrafo no “eléctrico”e com Sidónio Pais no seu gabinete de trabalho. Tudo Benoliel fotografou. É dele a herança fotográfica portuguesa. Sem ele muitas das palavras que foram escritas não tinham o nexo e a força que a imagem transmite.
Mas, e para melhor entender o esforço titânico deste homem, temos que adicionar à sua inegável qualidade de artista, a complexidade do equipamento da época. Hoje tudo é simples. Uma máquina, um botão, carrega-se… e pronto, já está! No tempo de Benoliel as máquinas eram enormes e pesadas os negativos eram em vidro e os trabalhos
redobrados para se chegar à perfeição desejada. Sem ordenado certo no jornal O Século, ele transforma-se no “fotógrafo oficial” dos grandes acontecimentos, fazendo aquilo a que viria a chamar de foto-reportagem, já que todas as portas lhe estão franqueadas.
Mas nem por isso ele deixa as ruas, a lida quotidiana da cidade de gente simples e capta aquelas que virão a ser, no futuro, as suas imagens mais famosas. Apesar disso, foi o retratista oficial dos primeiros presidentes portugueses.
Na altura da sua morte, Benoliel tinha na sua casa, na Rua Ivens, em Lisboa, cerca de 60 mil negativos, todos arrumados no corredor. Cerca de quatro mil chapas estão hoje no Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa. A Assembleia da República, o Museu de Marinha, o Automóvel Clube de Portugal, a Guarda Nacional Republicana e alguns arquivos particulares possuem também pequenos conjuntos do seu trabalho. Em 1970
a segunda geração dos herdeiros de Benoliel entregou ainda vários milhares de negativos ao jornal O Século. Extinto
este poucos anos depois, transitaram os “clichés” para a Fototeca do Palácio Foz onde, graças ao desvelo do seu conservador, Avelino Soares, puderam ser preservados e postos à disposição dos investigadorres.❐

Fontes
Wikiépdia
Diário do Minho, Américo Brito



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