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Sobre o Realistas
O Projecto Realistas dá a conhecer a vida de várias personalidades que se distinguem pela sua dedicação a Portugal e que, entre os seus princípios e convicções, está a defesa da Monarquia Portuguesa. Realistas, portanto.



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SOCIEDADE & POLÍTICA : Miguel Horta e Costa
2010/7/12 8:40:00
SOCIEDADE & POLÍTICA

Miguel António Igrejas Horta e Costa ( nascido em 28.07.1948)



Ex-presidente da Portugal Telecom
Economista formado pela Universidade Técnica de Lisboa; Diploma do Programa de Alta Direção de Empresas da Universidade de Navarra em 1982; Diploma em "Management de Comunicações" pelo Management College British Post Office - Reino Unido em 1979.



A infância passou-a entre o Estoril e Cascais. Recorda os tempos em que andou no tradicional Colégio João de Deus, onde conheceu muitos daqueles que seriam amigos para a vida. Dos tempos do colégio, lembra a figura do ­director, “o Dr. José Dias Valente, uma figura simpática e um educador excepcional”, diz com admiração na voz, que lhe inculcou valores como a coragem, enfrentar os desafios sem medo e sobretudo “uma ­máxima que me acompanha desde então: não somos apenas responsáveis pelo mal que fazemos mas pelo bem que deixamos de fazer”.

Para algum desgosto do pai, corta com a ­tradição familiar de juristas tendo optado pela ­licenciatura em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Dos tempos da Faculdade e das cumplicidades que se geravam, fez boas amizades que duram até hoje e que são economistas de renome como António Borges, Vasco D’Orey ou António Mexia. Recorda com ­saudade o grande amigo António Patrício Gouveia.

A vida profissional inicia-a com um estágio no então Banco Português do Atlântico e em 1972 responde a um anúncio no Diário de Notícias entrando como técnico de organização para os CTT, que tinham em 1970 sido constituídos como empresa pública. Esses primeiros anos ­proporcionaram-lhe o contacto com o mercado laboral mas também foram ricos em formação. Depois de ocupar vários cargos directivos, chega a Vice-Presidente dos CTT/TLP entre 1984 e 1987 e com apenas 32 anos assume a presidência da Companhia Portuguesa Rádio Marconi.

Entretanto, em 1976, Sousa Franco, então ­Secretário de Estado das Finanças, convida-o para adjunto, uma experiência que duraria 6 meses e que o colocaria em contacto com a governação do país. Em 1987, ano seguinte ao da adesão de Portugal à então CEE, seria Secretário de Estado do Comércio Externo no XI Governo Constitu­cional. “Foi um período interessantíssimo, em que se fez muito no âmbito da promoção de Portugal como destino de investimento estrangeiro e ­destino turístico”, recorda. “Não tenho dúvidas de que se existe uma alavanca para o crescimento da economia de um país ela tem que ver com o ­investimento e continuo a ser um forte defensor da captação de investimento estrangeiro, sobretudo o que traga uma transferência de tecnologia e que se traduza em mais exportações de valor acrescentado.” Nas suas palavras, denota-se a o gosto pela prestação de serviço público e o ­empenho para com o desenvolvimento do país. “Acho que é um privilégio podermos abdicar de uma parte da nossa vida em prol do nosso país e fazê-lo de uma forma abnegada e desinteressada e ter como espírito de missão poder acrescentar algo durante essa passagem; os funcionários ­públicos têm uma função muito nobre.”

É um homem fortemente conotado com o mundo das comunicações devido à sua passagem pela Portugal Telecom, onde foi Vice-Presidente Executivo durante 7 anos e depois Presidente ­Executivo ao longo de 4 anos. “Foi um enorme privilégio ter estado na PT pois é uma das ­grandes empresas do nosso país, uma empresa de tecnologia avançada e que em termos de benchmarking compara com as melhores do sector a nível mundial, qualquer que seja o critério”, diz com orgulho. Foi o período em que a empresa teve uma profunda evolução e “tive o privilégio de viver a ­privatização da PT, a implementação de uma ­filosofia de empresa privada até à cessação das minhas funções exactamente há um ano atrás”.

Desses tempos recorda, como medidas que mais prazer lhe deram tomar “no plano interno, ­liderar a tomada de decisão ao nível do Conselho conducente por um lado, à criação de um ­backoffice único e que se traduziria na PT PRO, uma medida de racionalização inédita em ­Portugal, e por outro lado, a criação da PT ­Compras, que significou grandes reduções de custos; ambas deram definitivamente o cunho de empresa privada à PT”. No plano internacional, ­“indiscutivelmente a internacionalização do Grupo PT, muito forte até à depressão dos ­mercados de capitais, em 2001/2, com destaque para a aposta no Brasil e em Marrocos, que vivi ­intensamente”. Esta foi uma estratégia que mudou profundamente a realidade da PT.

Defende convictamente a manutenção dos centros de decisão em Portugal “sob todos os pontos de vista é estrategicamente importante mantê-los, sobretudo no contexto de uma Europa alargada, onde a competitividade dita as regras do jogo e Portugal deve assegurar uma presença ­incontornável”. No seu entender, os grandes drivers do nosso país no início do séc. XXI ­passam pela educação “desde os primeiros níveis; é fundamental assegurar uma edução que mais do que informativa tenha uma componente ­formativa, que cimente alguns valores cruciais nas camadas jovens, como a competitividade.”

Após 12 anos, regressa à Banca, mais precisamente ao BES Investimento. Neste sector, nos ­inícios dos anos 90, tinha sido Vice-Presidente do Conselho de Administração do Banco ESSI, ­Administrador não executivo do então Banco ­Espírito Santo e Comercial de Lisboa e Presidente e membro do Conselho de Administração da SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços. “A banca tem para mim um enorme interesse pois é um sector que permite uma visão transversal económica e empresarial do país.”

Mas Miguel Horta e Costa não esgota o seu tempo em actividades exclusivamente profissionais, envolvendo-se em iniciativas da sociedade civil. Sucede a André Jordan como presidente ­executivo do Prémio Infante D. Henrique - o ­presidente honorário é Dom Duarte - , versão ­portuguesa do Prémio Duque de Edimburgo. O ­prémio é um enorme sucesso a nível internacional, sendo seguido por cerca de 3 milhões de ­jovens em 70 países: em Portugal já passaram pelo Prémio Infante D. Henrique cerca de 5000 jovens.

Profundamente monárquico - a família tem o título de Barão de Santa Comba Dão desde 1825 - considera que “a monarquia é a verdadeira forma de nos sentirmos identificados com a nação e isso é vivido por muitos europeus; no ­entanto, sou também um democrata convicto e portanto considero que cabe ao povo português escolher a forma de governação que pretende.”

No âmbito da sua vida profissional, viajou por muitos países, visitando muitas capitais. Da nossa Lisboa, que considera uma cidade lindíssima, diz que gostaria que “fosse mais acarinhada” e ­defende que a edilidade deveria adoptar uma ­politica de maior eficiência e eficácia de forma a que “se fizesse tudo o que pudesse ser feito para elevá-la ao nível das grandes capitais europeias”.

Miguel Horta e Costa é o actual Comodoro do Clube Naval de Cascais, sucedendo no cargo a ­Patrick Monteiro de Barros. “Estou a viver com ­entusiasmo a preparação de Cascais para as ­Regatas do ISAF (Federação Internacional de Vela)“, refere com um brilho no olhar. Apaixonado pelo mar, começou a praticar vela na Associação Naval de Lisboa, ainda em criança. Depois de alguns tempos mais afastado da modalidade, regressa ao mar há 10 anos. Tem um magnífico iate em que se desloca, algumas vezes até ao Algarve, com a ­família ou amigos. Apaixonado pela natureza, para além do mar, gosta igualmente de caçar perdizes e fá-lo muitas das vezes com um dos irmãos (são 6 no total, 5 rapazes e 1 rapariga), na propriedade deste em Monfortinho. Joga golfe e a propósito diz que “Portugal é um destino de excelência de golfe a nível mundial pelo que é importante que façamos tudo para continuar a criar cada vez ­melhores condições para atrair um maior número de golfistas”, refere, acrescentando que “a atracção de turismo de qualidade é fundamental para ­impulsionar o crescimento da economia.”

Olhando para trás, para uma vida cheia de projectos, diz que “havia muita coisa que mudava pois é importante aprender com os erros e ao longo da minha vida cometi alguns erros de ­percepção”, diz. Daqui para a frente diz ainda ­querer fazer sobretudo uma coisa: “Envolver-me em projectos de responsabilidade social pois é ­importante dar qualquer coisa aos outros, à ­sociedade e não devem ser apenas as empresas a fazê-lo.” Miguel Horta e Costa já faz parte do ­Conselho Geral da Fundação do Gil. Afinal, este é um homem que se rege pelo lema “não somos apenas responsáveis pelo mal que fazemos mas pelo bem que deixamos de fazer”



Exerceu as seguintes funções: ex-presidente da Portugal Telecom; Membro do Conselho de Administração da SIC - Sociedade Independente de Comunicação S.A. (desde 1998); Diretor Presidente da Portugal Telecom Internacional (desde 1995); Diretor da Portugal Telecom S.A. (desde 1995); Diretor da Companhia Portuguesa Rádio Marconi S.A. (1994/1995); Eleito para a Direção da Associação Comercial de Lisboa - Câmara de Comércio Internacional (1994); Vice-Presidente do Conselho de Administração do Banco de Investimento do Grupo Espírito Santo S.A. (1992/1994); Diretor do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa (1990/1992); Secretário de Estado do Comércio Externo (1987/1990); Vice-Presidente dos CTT (Correios e Telecomunicações de Portugal)/TLP (Telefones de Lisboa e Porto, S.A.) (1984/1987); Diretor Presidente da Companhia Portuguesa Rádio Marconi S.A (1982/1984); Diretor dos CTT (Correios e Telecomunicações de Portugal) (1981/1982);

Fonte : Câmara de Comércio Luso-Britânica



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